Até, relativamente, bem pouco tempo, a linguagem foi uma das características considerada como exclusivamente humana.
Entretanto, as pessoas que gostam e convivem com animais sempre almejaram, um dia, compreender as suas linguagens, suas formas de se expressar.
A melhor maneira de entender os animais é comparando sua linguagem com a evolução da humana.
Nas crianças, a habilidade linguística se esboça no momento em que elas arquivam algumas palavras e gestos e já começam experimentar a comunicação de seus desejos e emoções.
Fisiologia – os cães
Para explicar a expressividade da espécie canina vamos compará-la com as nossas formas de expressão.
O diálogo com humanos
A Expressão:
Para se fazer entender utilizam: a voz: o latido, rosnado, uivo, choro, o ofego, gemido, ganido, a arfada, o espirro e a tosse.
A expressão corporal: abaixar a cabeça, abaixar a frente e levantar a garupa, encolher-se, correr, abanar a cauda, rebolar, rodar em círculos, tremer, saltitar pular em cima, respiração ofegante com a língua lateralmente pendente, fazer “cara de idiota”, fingir-se de surdo, empinar a base das orelhas, avançar à frente quase rastejando em atitude de caça.
A mímica com atitudes como: olhar fixo, olhar de soslaio, olhar sonolento, olhar de baixo para cima, dar a pata, sentar-se nas duas patas posteriores e balançar as anteriores insistentemente, cheirar insistentemente o solo, arranhar a porta, mostrar os dentes, subir no dorso, colocar a pata no pescoço, virar-se de barriga para cima, lamber, lamber os lábios e a boca.
A fisiologia: excrementos e urina – marcar território, deixar rastros de cio, fazer xixi sobre o excremento dos outros.
As provocações: roer móveis; urinar e defecar em cima da cama; urinar na perna das pessoas; estragar coisas; fugir, quando se chama; puxar na guia; puxar a roupa na corda; destruir as plantas do jardim; tomar a guia das mãos do condutor.
Percepção:
Para nos compreender os cães dispõem de:
Olfato: sendo o mais importante sentido, os cães utilizam, praticamente, para tudo – reconhecimento de coisas, animais e pessoas, busca de objetos, seleção do alimento e medicamento. Os cães dedicam uma boa parte de suas vidas catalogando odores.
Audição: pelos sons, os cães reconhecem as coisas à distância, quando ainda não conseguem ver ou sentir o cheiro. Os cães têm uma capacidade incrível de memorização de sons: abertura de pacotes e sacolas, ruído de motores de automóvel, diversos tipos de passos, vozes, o ruído de chaves e dos colares de passeio, uma série de palavras-chave tais como – “vombora”, “passear”, “banho”, “sai!”, “vai deitar!”, “já-prá-fora” etc.
Visão: os cães utilizam a visão mais para perceber movimentos, rituais de submissão e apaziguamento, fugas e enfrentamentos do que para reconhecer pessoas ou coisas. O reconhecimento se dá, então, pela coreografia.
Percepção instintiva – através deste sentido os cães podem, “adivinhar” quando seu dono está chegando, diagnosticar doenças, tumores etc., saber da intenção das pessoas e até adivinhar sua morte.
Os caninos já nascem com uma percepção evoluída a ponto de encontrar as tetas da mãe minutos após o nascimento. Rapidamente desenvolvem esta percepção tomando conhecimento dos gestos atávicos e instintivos que lhes permite a percepção/comunicação com os outros.
Os Humanos
Servimos-nos da visão, audição, raciocínio e da formação cultural para perceber.
Para transmitir nossas idéias e desejos utilizamos a voz, o olhar, o gesto, a mímica, o raciocínio a formação cultural, que nos proporciona o desenvolvimento das teorias da comunicação e do condicionamento instrumental.
Portando, levamos uma extraordinária vantagem sobre o cão que, bem utilizada, nos coloca, imediatamente, no ápice da pirâmide hierárquica.
É mais fácil descermos ao nível do raciocínio canino do que exigir que os cães se elevem até o nosso nível.
Se não ficarmos atentos, nos prenderemos aos parâmetros humanos dos “considerando” enquanto o cão age conforme seus instintos.
As Tentativas Humanas de Comunicação com os Cães
Nós temos o hábito de falar com as crianças imitando o seu tatibitate.
As crianças, que aprendem por imitação dos adultos, acabam aprendendo este tipo de linguagem.
Com a mesma tentativa de imitar o filhote, para falar com os cães, costumamos fazer vozinha fina imitando seu choro de desespero.
O cachorro fica doidinho e começa a nos lamber para tentar aliviar a dor que imagina estejamos sentindo, ou então, no auge do seu nervosismo, tem seu esfíncter uretral relaxado e se urina. Urina também por medo.
Nós, infelizmente, interpretamos esse comportamento como sendo uma demonstração de amor e afeto.
A percepção da comunicação pelo cão
Quando aprendemos uma nova língua, num primeiro momento, consegue-se entender algumas palavras, depois, frases inteiras e, só quando a compreensão se torna fluente, arriscamos pronunciar algumas palavras conhecidas e, somente mais tarde, adquirimos a capacidade de construir frases.
A capacidade de compreender a linguagem precede a habilidade de produzir sinais para comunicar-se, que é um nível superior da lingüística.
Nos cães, a habilidade perceptiva da linguagem é muito boa. Essa habilidade perceptiva pode ser notada quando há uma resposta adequada a palavras pronunciadas. As ações conseqüentes dessas palavras determinam o grau de compreensão de cada cão. O nível de treinamento canino corresponde, mais ou menos, ao grau de cultura ou ao nível de escolaridade no ser humano.
Sobre os comandos de adestramento
Gritar com um cão é, praticamente, admitir que não escuta quando falamos baixo.
O ouvido canino percebe uma faixa de freqüência sonora bem mais ampla que o nosso. Os tons apreciados pelos sensíveis ouvidos caninos são os suaves e baixos. Gostam imensamente de música suave.
Os comandos militares têm o objetivo de coagir, intimidar para obter uma obediência mais rigorosa e uma resposta mais imediata. Já está provado que os cães tímidos têm uma dificuldade de aprendizado muito mais profunda. Está provado, também, que a pressão, a coação embota, “dá branco”. Muitas pessoas competentes e inteligentes são reprovadas no vestibular porque dá “branco”.
Já vi treinadores experientes e até campeões de competições perderem uma a duas semanas de trabalho por causa de um só “tranco” na guia. Não conseguem, mesmo sendo inteligentes admitir que “a violência não é a resposta” (Monty Roberts)
As palavras que interessam aos cães são aprendidas com pouquíssimas repetições.
Banho! – alguns cães ficam felizes, outros se escondem.
Beijo! – o cão lambe o nosso rosto.
Biscoito? – o cão entende que vai ganhar um biscoito.
Bota a cabecinha aqui! + tapinhas na coxa – a reação é deitar a cabeça no colo para receber um afago.
Busca! – o cão sai animado para pegar um objeto arremessado longe.
Cadê a barriguinha? – o cão vira a barriga prá cima para deixar-se acariciar.
Cadê a bolinha? – o cão vai procurar sua bolinha ou qualquer outro brinquedo que ele goste.
Cadê fulano? – o cão sai procurando alguém que ele muito gosta.
Cadê o bicho? – o cão sai procurando um bicho qualquer para pegar.
Cala boca!!! – o cão abaixa as orelhas e pára de latir.
Calma! – estímulo neutro usado quando o cão está agitado.
Canil! – o cão entende que deve ir para o seu canil.
Coleira! – o cão reage erguendo a cabeça para permitir a colo-cação da coleira.
Colo! + tapinhas na coxa – o cão sobe com as patas nas co-xas, para receber carinho.
Cuida! – o cão (de guarda) fica alerta tomando conta da pes-soa indicada.
Dá licença! – (quando um cão está no caminho, por exemplo, deitado no corredor) faz o cão levantar-se, para a gente passar.
Dá a pata! – o cão ergue a pata e a coloca na nossa mão.
Deita! – o cão assume a posição deitada.
Desce! – o cão desce a escada ou rampa à sua frente; desce de algum lugar mais alto.
Dick! (Nome do cão): com a repetição, cada cão passa a aten-der pelo seu nome para aguardar instruções.
Em pé! – o cão fica sobre duas patas.
Fica! – faz o cão permanecer em determinado local.
Junto! – o cão assume a posição sentada, do lado esquerdo, junto à coxa.
Larga! – o cão abre sua boca e solta o que estiver segurando.
Me dá! – o cão relaxa a pressão sobre o objeto que estiver segurando na boca para que possamos retirá-lo.
Muito bem!, Bonito! – é um estímulo positivo que proporciona felicidade, provocando a abanação da cauda.
Não! – o cão interrompe toda e qualquer ação.
Para trás! – usado no carro, quando se quer que o cão passe do banco da frente para o de trás.
Pára! – o cão interrompe o que estiver fazendo.
Passa fora! – quando a gente quer que o cão vá embora.
Prá dentro!, Entra! (acompanhado de gesto manual indicati-vo): o cão entra para o ambiente apontado.
Procura! – o cão segue o odor indicado. O cão procura alguma coisa, que foi escondida.
Pssiu! – o cão pára de latir.
Pula! (acompanhado de gesto manual): o cão salta por sobre o objeto ou obstáculo indicado.
Quietinho! – estímulo reforçador incentiva o cão a permanecer tranqüilo durante uma escovação, por exemplo, para superar um momento de desconforto.
Senta! – o cão assume a posição sentada.
Sentado! (acompanhado de gesto manual): o cão assume a posição “sentada” sobre as patas posteriores.
Sobe! – o cão sobe a escada ou rampa à sua frente. Sobe para algum lugar mais alto.
Toma! – o cão sabe que vai ganhar um petisco.
Vamos passear? – o cão começa a pular e rodar em volta de você e vai para a porta aguardar os acontecimentos.
Vamos prá piscina? – o cão fica excitadíssimo e começa a pular para ir mais rápido. Chegando lá, pula dentro direto.
Vem cá! – o cão sai de onde estiver e vem para junto.
Vem enxugar! (acompanhado da apresentação da toalha): o cão começa a fungar, espirrar e se esfregar na toalha esperando ser enxugado depois do banho ou de uma voltinha na chuva.
Vem limpar o ouvido! – o cão chega de mansinho e encosta a cabeça no joelho para permitir a limpeza do ouvido… (em geral os cães adoram essa frase, chegam até a gemer de prazer).
Vem! – utilizada para convidar o cão a um passeio; ou ao caminhar, incentiva o cão retardatário para que se junte a nós.
Existem, entretanto, inúmeros gestos e ruídos que os cães reconhecem, às vezes, melhor do que palavras: apanhar a coleira; pegar as chaves do carro; o desembrulhar; o som da cumbuca quando se co-meça a preparar a comida; dar rápidos e repetidos tapinhas na coxa; bater palmas e estalar os dedos.
Minha experiência revelou que os cães são capazes de compreender até diálogos inteiros sobre assuntos de seus interesses sem que seja necessária a compreensão do significado específico de cada palavra.
Bater na coxa, por exemplo, é um gesto que quase todas as pessoas fazem para chamar seus cães tendo a mais absoluta certeza que virão sem, sequer, saber por que esse gesto tornou-se universal, no diálogo com eles.
Vamos tentar explicar: quando você chama seu cão pelo nome, pela maneira que você pronunciou, ele sabe se você está alegre, feliz ou aborrecido. Quando você o chama, dando repetidos tapinhas na coxa, está fazendo o mesmo ritual do rabinho abanando… ele sabe que você está feliz e vem correndo.
Se você der uns tapinhas no sofá ele virá correndo para o sofá. Se, depois der uns tapinhas numa mesinha baixa ele, por associação, subirá na mesa. Dessa forma ele aprendeu que, dar tapinhas num plano mais alto, é para subir.
São gestos que levam você, inconscientemente, a transmitir seus desejos a seu cão. Quantas vezes, vendo que você está triste, seu cão vem e deita-se a seu lado em silêncio ou se você está chorando, lambe seu rosto? Quantas vezes, vendo que você está aborrecido, seu cão vai, mansamente, para um canto da casa e fica quietinho?
Nas aulas de treinamento, notamos muitas vezes que, quando o dono está tenso, o cão trabalha inseguro e desatento. Não consegue concentrar-se e erra bastante o cão também fica tenso e nervoso. Durante o treinamento a guia é o cabo de conexão entre o condutor e o cão. Através dele transmitimos nossas emoções, tensões e expectativas. Por exemplo: se você está passeando com seu cão com a guia relaxada e, na sua direção, vem um cão que você considera agressivo, automática e instintivamente, aplica certa tensão na guia.
A linguagem transmissiva do cão
Os Sinais
O latido dos machos é diferente do das fêmeas. É um latido grave, potente e imponente.
Pelo latido, os cães revelam sua satisfação, temor, discordância, alarme e seus desejos. É um sinal, através do qual, pela variação de entonação, transmitem as suas sensações a seus semelhantes e con-semelhantes.
Essas sensações podem ser provocadas por qualquer evento estranho, pela percepção de perigo iminente ou por um convite à participação. São os sinais mais facilmente por nós compreendidos dada à sua semelhança com a nossa voz.
Para os cães que têm uma acuidade visual aguçada para movimentos, qualquer acontecimento que evoque o atavismo selvagem é motivo de alarme: um gato que passa, um homem que corre, um carrinho de brinquedo que se movimenta. Os cães adoram uma janela. Os rituais de fuga (correr) despertam, naturalmente, o instinto da caça.
É muito comum observar-se que, dentro do seu automóvel (território móvel), os cães ladram para outros cães, para uma vaca ou um cavalo, para caminhões e ônibus que passam em sentido contrário. O que não é comum é percebermos que o ronco do motor de um caminhão ou ônibus passando em sentido contrário tem exatamente a mesma freqüência sonora de outro cão que rosna para atacar.
Os cães tentam se comunicar conosco utilizando a voz, sinais e gestos. A forma com que eles se comunicam depende do porte e da raça.
Os cães comunicam se em torno de três temas principais:
1. Suas emoções.
2. Suas pretensões sociais: hierarquia e territorialidade.
3. Suas necessidades e desejos.
No tema necessidades, o relacionamento com os humanos facilitou o aprendizado por causa do adestramento.
Verbalizações
Considerando que verbo, em português, significa palavra, vamos dar o nome de verbalização para cães a todo e qualquer som emitido via oral.
Cinco variáveis indicam ou modificam o significado sonoro na voz dos cães:
1. Volume: alto, médio ou baixo.
2. Tonalidade: graves ou agudos. Essa variável depende também do porte da raça: cães pequenos têm o latido mais agudo e estridente, os de maior porte têm latidos mais graves.
3. Duração: medido em segundos.
4. Número de repetições: de cada som.
5. Freqüência: Intervalo de tempo entre cada repetição.
Os fatores que provocam essas variações são emocionais.
A excitação e o nervosismo aumentam:
o volume: os latidos tendem a ser mais altos,
a tonalidade: os latidos tendem a ser mais agudos,
o tempo de duração: os latidos tendem a ser mais longos,
o número de repetições: tende a ser mais repetitivo.
a freqüência: os intervalos entre as repetições tendem a ser mais curtos.
Aumento da quantidade de repetições por minuto.
Os cães mais tranqüilos reagem de maneira oposta.
Com os humanos acontece algo semelhante
Uma pessoa nervosa tende a:
falar mais alto – volume.
falar mais fino – tonalidade mais aguda.
falar mais – tempo.
repetir mais as palavras – repetições.
falar mais rápido – freqüência
Os cães se expressam com:
Latidos
De um modo geral
Latidos com intervalos longos “wáoff… +/- 15”.. wáoff… ± 15”… wá-off…” ± 15 segundos – o cão está pedindo algo: água, comida ou quer passear, abrir a porta para ele entrar ou sair. Às vezes depois de latir ele corre e para em frente à porta.
Latidos com intervalos médios “wáof… 3”… wáof… 3”… wáof…” ± 3 segundos e com as orelhas para trás, o cão está dando um alarme que algo estranho está acontecendo: um ruído estranho, alguém mexendo na porta ou passando de forma suspeita, um estranho se aproximando.
Latidos com intervalos curtos “wáf, wáf, wáf, grrr, wáf, wáf, wáf, grrr, wáf, wáf”, ininterruptos e insistentes, com rosnados intermitentes, exibindo os dentes, com as orelhas voltadas para trás, o cão está nos cascos, pronto para atacar em procedimento de defesa de territórios e entes queridos.
Os cachorros (cães jovens) utilizam um latido festivo, meio gritado, acompanhado de corridinhas em volta, para um convite à brincadeira. Esse tom é facilmente reconhecido e sem nenhum conteúdo agressivo ou provocativo.
Os cães podem latir por medo, nesse caso, mostram timidamente os dentes, levantando levemente os lábios que tremem enquanto suas orelhas ficam voltadas para trás, coladas no topo do crânio. Seus pêlos dorsais ficam eriçados, eles recuam e estão sempre prontos para fugir. Aqui a utilização do latido é uma tentativa extrema para demo-ver o inimigo da luta e convence-lo da retirada. Diz se que cão que late não morde.
Estes cães só são perigosos no momento em que o agente ameaçador se vira de costas. Se a ameaça for muito grande poderão, vendo se em perigo de vida, lançar se ao ataque numa atitude derradeira de vida ou morte.
Característica dos latidos
Latidos de duração média, contínuos, em tonalidade de moderada para grave – tentando alertar a matilha ou família para um estranho que se aproxima.
Latidos de duração média, contínuos, em tonalidade de moderada para aguda, quase uivo – característica dos huskies e akitas, quando confinados por longos períodos.
Latidos curtos, contínuos, em tonalidade moderada – tentando alertar a matilha ou família que um estranho está próximo ou entrando no território.
Latidos curtos, contínuos, em tonalidade moderada, volume alto, sempre em presença do proprietário – manifestação de estresse, ciúmes e insegurança, diante de outros cães.
Latidos curtos, contínuos, em tonalidade aguda, volume alto, exibindo parcialmente os dentes – tentando, com insegurança, assustar o agressor hierarquicamente superior.
Um só latido curto e seco, em tonalidade aguda – é uma forma de pedir ou de exigir algo. Pode ser repetido, caso a pessoa não atenda a solicitação, mas seu significado está contido neste único latido. Alguns cães usam o latido único curto e seco diante da porta tentando expressar sua vontade de sair ou em presença de um brinquedo ou pe-tisco que deseja ganhar, ou ainda, pedindo para subir no sofá, poltrona ou na cama. Pode ser, também, um latido de alegria quando percebe que vai passear na rua. Nesse caso, fica agitado rodando e correndo em círculos e repetindo várias vezes.
Um só latido curto e seco, em tonalidade de moderada para grave, volume bem baixo, normalmente terminando em suspiro (wáofffff !) – é um ensaio para iniciar o latido único, curto e seco, em tonalidade aguda.
Um só latido curto e seco, em tonalidade de moderada para grave, volume alto, normalmente terminando em suspiro (wáofffff !) acompanhado de um movimento curto e rápido com a cabeça – é uma espécie de “chega prá lá!” ou “sai fora!”; tentativa de avisar que algo o está incomodando.
Um ou dois latidos curtos e secos, tonalidade moderada – chamando a atenção para si. Uma forma de saudação
Seqüência de três ou quatro latidos curtos em tonalidade moderada e rápida sucessão, espaçados por curtas pausas – tentando alertar a matilha ou família para um pressentimento de estranho nas proximidades.
Latidos curtos, insistentes por longos períodos, com intervalos de moderados a longos – resultantes de solidão por longos períodos de confinamento. Procura de contato. Revelam necessidade de companhia.
Latido com balbucio inicial, em tonalidade moderada (ahrr… wáof !) – um convite à brincadeira. Normalmente, abaixa a frente mantendo as patas anteriores esticadas e encostadas no chão com a garupa levantada. Como se estivesse dizendo: “Não me pegaaaa… lá, la, la-laaaaa”
Latidos emendados, sem intervalo, em tonalidade crescente – composto de uma série de latidos ininterruptos, semelhantes ao uivo, que revelam um estado emocional de estresse, muito medo, levando às vezes ao ganido e a urinar-se.
Latido grave, com repetição compassada, em intervalos moderados – característico de cães sabujos durante uma perseguição chamando a turma.
Latidos em seqüência, de duração média, tonalidade de moderada para aguda, com volume alto – latidos emendados, acompanhados da contração dos músculos orbiculares da comissura labial – como se ele tentasse pronunciar o “U”, revela insegurança. O cão faz biquinho, que às vezes, fica até bonitinho.
O Rosnar
É sempre uma advertência! oóÓÓóoolha!!! O rosnado é uma forma de dizer que não está gostando da situação e, também, que se continuar vai morder.
Quando o rosnado é acompanhado da contração dos músculos orbiculares da comissura labial, como se ele tentasse pronunciar um “U”, revela insegurança.
A rosnadela abafada, com os dentes escondidos – revela que está começando a ficar irritado com a atitude do outro.
Uma rosnadela suave, grave, com os lábios esboçando exibir os dentes – suave ameaça. Normalmente o adversário, recua. Por exemplo quando outro cão se aproxima da comida.
A rosnadela + latido em tonalidade grave, exibindo completamente toda a arcada anterior, inclusive os caninos, revela um cão seriamente aborrecido, atingindo seu limite de tolerância, prestes a atacar. Quando o cão rosna latindo, às vezes, produz espuma na boca, dando a impressão de mais irritado.
Várias rosnadelas + latido em tonalidade moderada é característica de cachorros brincando de luta. Apesar de soarem como uma briga entre cães é sempre a alegria de uma brincadeira e nada de grave acontece.
Rosnadela trêmula + latido em tonalidade de média para aguda é uma tentativa de um cão, com sua autoconfiança baixa, de convencer o adversário a bater em retirada, caso contrário, partiria para a luta.
Rosnadela oscilante, mesclada com choro + latido é emitida quando um cão está com a autoconfiança baixíssima em razão de uma agressão iminente ou pelo dono ou por outro cão.
Outras verbalizações, Ofegar – aquela respiração rápida, com a boca aberta e a língua pendurada – revela excitação, alegria, vontade de brincar, se a comissura labial estiver levantada ou cansaço após um trabalho prolongado, se a comissura labial estiver caída.
Resmungar – é uma mistura de latido com um uivo tremido. O cão está inseguro, queixa-se de alguma coisa: dor pouco intensa, mas contínua; tristeza; ansiedade; preocupação com alguma coisa. Espera ser atendido. Se não for entendido começará a latir.
Choramingar baixinho - emitido por um cão ferido, assustado ou com dor de barriga. Lembra a manha de filhote.
Dar uma choradinha em volume alto e de maior duração - denota ansiedade, quer conseguir alguma coisa: um osso, comida, um brinquedo etc.
Suspirar - têm mais ou menos a mesma conotação dos suspiros humanos. Quando conseguem descansar, quando atingem um objetivo, quando o perigo passa etc. um alívio,,,
Bocejar – tem o mesmo significado do bocejo humano. Às vezes até nos contagia. Outras, o bocejo é até acompanhado de um espreguiçamento. Quando o bocejo é muito profundo, chegam até a tremelicar.
Gemer – também chamado de choro indica que o cão está sofrendo: cólicas, dores lancinantes, latejamento, frio.
Gemer de maneira prolongada – indica dor, constante ininterrupta e moderada, mas difícil de suportar.
Gemido tremulo - emitido, quando o cão está sentindo um enorme prazer, por exemplo, quando se lhe coçam os ouvidos, o peito ou a barriga. Às vezes o cão ajuda com a pata posterior e o gemido sai ondulado por causa dos movimentos das patas.
Ganir – exatamente como o nosso grito, revela dor intensa, aguda ou um susto muito grande.
Dar um só ganido bem curto em tonalidade aguda – manifestação de dor aguda curta, repentina e inesperada.
Dar uma série de ganidos - uma resposta ao medo intenso ou à dor muito forte.
Dar um latido-ganido repetitivo terminando em uivo prolongado – é, na realidade, o próprio uivo que se inicia. Depois desse ensaio todos os cães da vizinhança respondem apenas com o uivo.
Uivar – é o meio canino de comunicação de massa (com a alcatéia). É o mesmo sinal que o lobo líder usa para reunir a matilha. No momento em que um começa todos respondem. Não se trata de maus presságios, agouro, como declaram alguns autores, sequer de sofrimento, mas uma forma de se fazer ouvir numa distância de vários quilômetros para se comunicar com os outros da espécie.
As orelhas
Cada raça tem um porte característico das orelhas: eretas, semi-eretas, semicaídas, portadas dobradas e caídas rente às faces e pendentes.
Através do movimento das orelhas os cães revelam seus sentimentos, expectativas e anseios.
Para compreender o conteúdo expressivo do movimento das orelhas é importante saber que, na escala de importância dos sentidos na espécie canina, a audição fica em segundo lugar, em relação aos outros sentidos.
Veja a tabela comparativa da importância dos sentidos humanos e caninos.
Humanos: 1- Visão; 2- Tato; 3- Audição; 4- Olfato; 5- Paladar.
Caninos: 1- Olfato; 2- Audição; 3- Visão; 4- Tato; 5- Paladar
A concha acústica tem diversos tipos de movimento:
1. rotação em torno do eixo vertical – com esse movimento a concha, como um radar, procura localizar a direção da fonte sonora.
2. elevação da base – elevando a base o cão consegue maior acuidade auditiva. Quando o cão percebe um ruído diferente e precisa descobrir o que é. Atenção!
3. abaixamento – movimento que reduz a capacidade de percepção do som quando o cão está preocupado, assustado ou com medo (nós dizemos: não quero nem ver… os cães “dizem”: não quero nem ouvir…). Tem uma conotação semelhante ao nosso ato de tapar os ouvidos.
Cães de orelhas empinadas
Empinar rigidamente e direcioná-las para frente – atenção total, curiosidade.
Empinar, mas manter relaxadas – cão distraído, trabalhando ou exercitando.
Empinar e direcioná-las para trás, ligeiramente inclinadas – atenção em algum ruído vindo de trás, atenção em duas coisas ao mesmo tempo.
Empinar e direcioná-las uma para frente e outra para trás – um olho no padre e outro na missa. Cão prestando atenção no que está à sua frente e preocupado com algum ruído que vem de trás.
Portar orelhas baixas, para trás e achatadas contra o crânio – demonstra uma grande preocupação, timidez, submissão.
Cães de orelhas caídas
Portar as bases levantadas e as conchas tendendo à frente – atenção total, curiosidade.
Portar as bases levantadas, mas as conchas relaxadas – cão distraído, trabalhando ou exercitando.
Portar as bases levantadas e as conchas direcionadas para trás e ligeiramente achatadas contra a nuca – atenção em algum ruído vindo de trás ou atenção em duas coisas ao mesmo tempo.
Portar as bases abaixadas e as orelhas achatadas contra o pescoço – demonstra uma grande preocupação, timidez, submissão.
Os olhos
Não têm, claro, a mesma expressividade dos olhos humanos, mas falam bastante ao nosso intelecto.
Um cão sempre sabe quando você está olhando para ele. Sabe também quando você ou outro animal está tentando evitar o olhar direto. Pela maneira de olhar, seu cão sabe se você o está encarando, enfrentando ou indagando.
O ato de encarar, para um animal, representa o desafio máximo, o enfrentamento. Assim pode-se fazer um teste de temperamento só olhando dentro dos olhos do cão. Por outro lado, você também pode saber, pela maneira de olhar, se o cão está tranqüilo, excitado, calmo ou irritado… se vai ou não morder.
Certas raças têm, até no padrão, a definição de “olhar suplicante”. Esse “olhar de tadinho”, que consegue “comprar” qualquer dono in-cauto, tem um poder de sedução inimaginável, inclusive entre os animais. Quando o cão olha para você e inclina a cabeça para um lado e depois para o outro, tentando entender o que se está falando com ele… não há quem resista.
E aquele jeitinho de olhar, entremeado com uma lambida nos beiços, quando a gente está comendo?
Olhar fixo – o cão está muito interessado. Às vezes com pequenos movimentos das patas anteriores.
Olhar sonolento – o cão está muito pouco interessado.
Olhar de soslaio – o cão, desconfiado, não consegue olhar diretamente nos olhos.
Olhar de baixo para cima – o cão está desconfiado. Quando deitado, com a cabeça entre as patas anteriores, é um olhar de preocupação e expectativa pelo que poderá acontecer.
A boca
As funções e a expressividade da boca dos cães é completamente diferente da dos humanos, capazes de articular palavras.
Com a boca, os cães comem, transportam seus filhotes, apanham objetos, destrinçam o alimento, destroem coisas e até vocalizam alguns sons.
Como a boca dos cães contém sua arma, ferramenta e talheres, um dos gestos mais típicos é o levantar dos lábios para facilitar o uso desses instrumentos. É como, para nós, arregaçar as mangas. Se não os levantassem correriam o risco de mordê-los.
A comissura labial tem uma importância capital na expressividade dos lábios. Quando seus músculos se contraem, como no uivo, revelam insegurança.
Levantar ligeiramente os lábios de maneira trêmula e insegura, com a boca quase fechada, exibindo, apenas, alguns incisivos – antes de iniciar o rosnado, o cão demonstra, com nitidez, que algo não está lhe agradando e está lhe aborrecendo.
Levantar os Lábios, com a boca entreaberta, exibindo incisivos, caninos e algumas rugas na cana nasal - às vezes acompanhado de rosnado, é um indício evidente que está no seu limite de controle e que alguma reação está por se completar.
Levantar os Lábios exibindo inclusive as gengivas, com rugas acentuadas na cana nasal - é o último gesto antes de morder. Nesse momento, se o adversário abaixar o olhar e virar a cabeça, afastando-se lentamente, o enfrentamento cessa instantaneamente.
Sobre o ato de lamber
Os cães lambem por diversos motivos:
1. para beber lambem a água. Nessa lambida, a língua assume o formato de uma colher de sopa.
2. para saborear alguma coisa. Muitas vezes lambem bem devagar, às vezes parando no meio da lambida.
3. por excitação. Nesse caso, ao contrário do humano, os cães lambem para excitar-se, nunca para excitar o parceiro(a).
4. por carinho. Essas lambidas são bem lentas, às vezes com uma paradinha estratégica no meio da lambida.
5. Por prazer. Lambem o ouvido dos outros cães ou até o nosso porque sentem prazer com isso.
6. por dor localizada. Dependendo da intensidade da dor, o ritmo das lambidas é mais ou menos rápido, intenso e curto ou lento e longo. A dor aguda faz o cão lamber-se com alta freqüência e lambidas curtas como se essa rapidez fosse aliviar mais depressa. A dor crônica, que não é aguda, mas constante, provoca lambidas mais demoradas e bem úmidas.
7. por dores inespescíficas: dor abdominal, dor de cabeça, dores musculares. Nesse caso os cães costumam lamber o ar, nervosamente por não saberem onde lamber.
8. por falta do que fazer, tédio, tristeza, melancolia. Muitas vezes, lambem o tapete, a almofada onde se deitam, o chão, algum trapo encontrado no chão, a camisa do dono.
9. por estresse. Cães estressados lambem freneticamente suas patas anteriores, na maioria das vezes causando a ulceração da região lambida.
10. por submissão. Nesses casos as lambidas fazem parte de um ritual. Alguns autores chamam de sinais tranqüilizadores (calming signals), outros, de rituais de submissão e apaziguamento. Normalmente lambem a boca do “oponente”, as faces, o queixo, os órgãos sexuais. Essas lambidas são rápidas, frenéticas, com o objetivo de apaziguar…, fazer entrar numa boa.
A cauda
É uma fantástica fonte de informação para que possamos perceber seu estado emocional:
quando
- alegre, a cauda balança junto com a garupa;
- excitado, vibra como um diapasão;
- quando aflitiva, balança rápido, mas desordenada, com a garupa, esbarrando em tudo que está por perto;
- em atenção, cauda empinada.
Ressalvando os cães cujo porte da cauda é uma das características de sua raça, o posicionamento é um importante indicador de suas emoções.
Portar a cauda quase horizontal, apontando direto para trás – posição característica dos cães de caça de aponte. Revela a descoberta da presa.
Portar a cauda ligeiramente acima da horizontal – cão excitado em situação de disputa de liderança ou iniciando o jogo de sedução que precede o acasalamento, normalmente a cauda treme ligeiramente.
Portar a cauda a 45º, entre a horizontal e a vertical – semelhante ao porte ligeiramente acima da horizontal, mas com total autoconfiança. Normalmente utilizada para desfilar após ter ganhado a disputa da liderança.
Portar a cauda erguida na vertical e ligeiramente encurvada para frente: semelhante ao porte em 45º, também com total autoconfiança. Característico dos cães dos terrieres e sabujos.
Portar a cauda pendente, oscilando lateralmente: revela tranqüilidade, normalmente usada quando o cão está relaxado.
Porte pesadamente pendente, sem oscilar: o cão está inseguro quanto ao está para acontecer… uma disputa de liderança, um invasor muito próximo…
Colocar a cauda entre as pernas – revela muito medo. Nesta situação o cão pode urinar-se, ficar absolutamente sem reação ou tentar esconder-se.
Abanar ligeiramente a cauda - quando o cão está feliz, recompensado com a atenção reivindicada.
Abanar fortemente a cauda – revela alegria, felicidade intensa, quando o cão está brincando. Brincadeira de cachorro é brincadeira de pegar, brincadeira de luta.
Abanar lentamente a cauda, ligeiramente erguida - gesto observado quando você está pacientemente tentando explicar algo, o cão está atento, mas sem entender. Foi observado também que, quando o cão entende, muda o ritmo do balanço (Stanley Coren).
Ao contrário do que muitos autores sugerem, o abanar da cauda não tem intenção alguma de comunicar algo.
É uma reação instintiva que apenas revela sua satisfação e alegria diante de um estímulo prazeroso. Como normalmente um estímulo prazeroso é sempre oferecido por outro animal e, por isso, jamais acontece quando o cão está desacompanhado, a interpretação desse gesto pode ser erradamente conduzida para um sinal de agradecimento e alegria apenas.
Expressão corporal
Sinais, gestos e rituais
A expressão corporal é uma das formas de comunicação muito usada tanto pelos cães quanto pelos treinadores, tentando comunicar-se.
Nós, humanos, temos certa facilidade de interpretar alguns movimentos da cauda e das orelhas, posição do dorso, expressão dos olhos e alguns trejeitos da boca.
A expressão corporal revela uma infinidade de coisas diferentes. Mais uma vez, os assuntos principais são os sociais.
Ficar empinado, com membros rígidos, movimento lento à frente e em curva, testa enrugada, com as orelhas voltadas para trás: ritual de estudos dos adversários durante a disputa pela liderança. Normalmente um se movimenta em direção à cauda do outro.
Ficar empinado, corpo levemente inclinado à frente e as orelhas voltadas para trás: o combate é iminente.
Ficar imóvel, olhar fixo num ponto (presa), com a frente levemente mais baixa e orelhas dobradas para trás - ritual de caça – está pronto para dar o bote e atacar.
Arrepiar os pêlos na cernelha (ombros) e garupa – o cão está com medo e ansioso. Sua reação vai depender diretamente do nível de coragem para enfrentar esse medo.
Ele poderá partir para o enfrentamento, baixar a cabeça e render-se ou fugir.
Deitar de dorso e dormir de pernas e barriga para cima (decúbito dorsal) – revela segurança, tranqüilidade, muita paz e confiança nas pessoas e no ambiente em que se encontra.

Deitar enrolado sobre si mesmo como se estivesse tentando abraçar a cauda e as patas – o cão está com frio, procurando aquecer as extremidades.
Deitar de bruços com a barriga totalmente encostada no solo, todo esticado e com as patas para trás (decúbito ventral) – o cão está com calor, procurando refrescar a barriga.
Rodar em torno de si próprio e olhar para o solo – ritual atávico antes de defecar ou para deitar-se. Na floresta o lobo precisava rodar para amassar o mato antes de defecar, evitando assim que um galho ou fiapo de capim o incomodasse no momento supremo. Para deitar-se o cão, instintivamente, amassa o mato para afofá-lo, procurando a posição mais confortável ou para evitar o fiapo de capim (mesmo em piso de cimento).
Gestos e atitudes
Lamber –é o gesto canino comparável ao nosso beijo. Revela o nível do afeto que o cão lhe dedica, revela também o reconhecimento de alguma atitude sua. Agradecimento. Submissão ao adversário.
Cutucar com o focinho – essa atitude revela uma tentativa de conseguir sua atenção, um pedido de afago na cabeça ou uma boa coçada nas costas ou no peito. A cutucada com a patinha tem quase a mesma conotação. É uma das formas de comunicação mais semelhantes à nossa cutucada.
Cutucar com as patas – normalmente uma de cada vez, as vezes rápida e alternadamente usando as unhas. Pode ser na nossa perna, ou se estivermos deitados, em qualquer lugar. Com esse gesto, os cães, estão praticamente exigindo nossa atenção. Se essa cutucada for à porta, tem a mesma conotação da nossa batida na porta: permissão para entrar ou sair.
Pisar no seu pé – quando você estiver ensinando alguma coisa ao seu cão, em determinado momento ele pisa seu pé e permanece pisando. Com este gesto ele estaria aceitando a sua liderança.
Morder o calcanhar – é uma reação típica do cão em atitude de brincadeira, não está querendo que você vá embora. Se ele morde o calcanhar é porque você está de costas para ele.
Puxar a guia com os dentes – tomar a guia pelos dentes e puxar, também tem uma conotação de brincadeira.
Abaixar a frente, olhando para você, com as patas anteriores estendidas, garupa para cima e a cabeça próxima ao solo – convite à brincadeira, com esse gesto o cão parece dizer – você não me pegaaaaa. Qualquer movimento do outro cão ou pessoa ele sai em disparada dando voltas em torno como se desafiasse você a pegá-lo… seu cão está querendo que você corra atrás dele. Muitas vezes essa atitude é confundida com falta de respeito e muitos cães apanham por querer brincar.
Lamber o focinho do outro cão – é um ritual de submissão. Quer dizer, mais ou menos: deixa disso amigo, vim em paz não quero brigas…
Cheirar a genitália do outro cão – é um ritual de conhecimento, através do cheiro do sexo sabem se devem ou não prosseguir com a disputa da liderança ou, se o outro permitir, funciona como uma apresentação.
Virar de barriga para cima – ritual de submissão e liderança. Oferecer o ventre é o mesmo que se render. Aceita incondicionalmente o outro como líder.
Colocar a pata na região superior do pescoço do outro cão – é um gesto de assunção de liderança, desafio. Se o outro aceitar reconhece a sua superioridade. Se não aceitar haverá a disputa.
Colocar seu queixo sobre o pescoço do outro cão – tem a mesma conotação de colocar a pata no pescoço
Montar sobre outro cão de mesmo sexo – dentro dos rituais de submissão e apaziguamento é o mais importante e mais definitivo. Se o outro permitir é considerado submisso. Caso contrário haverá disputa.
Levantar a patinha para urinar – todo mundo pensa que é sinal de masculinidade, de passagem para a puberdade. Na realidade, só o macho levanta a patinha para urinar em razão de própria estrutura anatômica pq do contrario molharia as patas na hora de urinar.
Se não levantasse a patinha o macho urinaria nas próprias patas anteriores, como o faz o bode, razão do seu cheiro. Os cães procuram uma árvore para servir de anteparo de maneira que a urina escorra sem molhar suas patas anteriores e, para conseguir urinar na árvore têm que levantar a patinha. As fêmeas não precisam disso, pois se abaixam para urinar, quase encostando os pêlos da ponta da vagina no solo. Esses pêlos conduzem o líquido, impedindo que espirre.
Urinar sobre a urina do outro cão – é a forma que um cão tem de desafiar a supremacia do adversário. Como fazem os humanos brigões nas ruas, cospem no chão sobre a cusparada do outro.
Cheirar o chão - é o passatempo predileto dos cães. Pelo olfato reconhecem todas as coisas. Também usam cheirar o chão para disfarçar, fingindo estarem ocupados, exatamente como nós, quando assobiamos. Esse gesto tem dois objetivos:
1. Sondar, procurar ou pesquisar o terreno por algum aroma que achou interessante.
2. Quando está com o dono, disfarçar, mostrando-se interessado em algo que não seja ele. Comparável à nossa atitude de assobiar olhando para diversos pontos aleatórios acima.
Deitar-se de lado (decúbito lateral) e abrir as pernas exibindo o ventre é sinal de submissão e apaziguamento. O cão está tentando pacificar os ânimos revelando que não deseja lutar.
Colocar a cabeça ou a pata sobre o pescoço ou dorso de outro cão – ritual de submissão. Trata-se de uma espécie de teste. Se o outro cão permitir ele será o dominador. Se não permitir, pode desistir ou partir para a luta corporal.
Abaixar a cabeça e lamber de baixo para cima, insistentemente, o focinho de outro cão - ritual de submissão e apaziguamento. É um pedido de perdão, desculpas, trégua, arrego.
Dar a patinha - também, é uma maneira de solicitar paz e um gesto amistoso de apaziguamento.
Esfregar a pata anterior na própria cabeça, passando-a na orelha ou olho – o cão está tentando remover algo que o incomoda.
Cheirar um determinado local e, em seguida, esfregar o focinho e a cabeça nele – comportamento atávico de defesa contra picadas de insetos. O cão está tentando transferir o cheiro, normalmente ruim, para si objetivando sua proteção. É bom esclarecer que o cão não tem consciência da finalidade deste comportamento, mas sente uma necessidade incontrolável em fazê-lo.
Deitar-se na lama e chafurdar como se um porco fosse – comportamento atávico de proteção contra grandes felinos.
É uma técnica usada pelos afghan hounds para enfrentar o combate contra tigres e leões. Depois que seca, a lama mesclada aos pêlos se transforma numa carcaça impenetrável pelas unhas das garras dos felinos. Diversas outras raças herdaram esse comportamento.
Cavar buracos para deitar-se dentro – o cão está com calor e cava para encontrar uma camada de terra mais fresca.
Cavar buracos para enterrar ossos ainda com carne – é um processo com dois objetivos:
1. esconder o osso dos outros para comê-lo, tranqüilamente, mais tarde.
2. promover a maturação da carne nele contida. (Na França, costuma-se enterrar bifes por uma semana para que fiquem maturados para depois servi-los)
Cavar buracos para enterrar as fezes – este gesto atávico, ao contrário do que alguns autores sugerem, não é uma medida higiênica e sim, um processo ecológico. O equilíbrio da natureza exige que as fezes sejam enterradas para fertilizar o solo.
Mordiscar - é um ato afetivo, carinhoso. Os cães gostam de brincar com nossas mãos. Têm um fascínio especial por elas. Cães não têm mãos. Seguram e manejam as coisas com a boca, por isso o ato de mordiscar sem machucar é um gesto de carinho.
Enfiar sua cabeça sob a mão do dono – está pedindo carinho. Este gesto é muito comum e quase todo dono de cachorro já teve essa experiência.
Colocar a pata sobre a perna do dono – está pedindo um pouco de atenção. Ele pode estar querendo comunicar-se…, pedir alguma outra coisa, ir à rua, beber água, dizer que está com fome etc.
Sentar-se com uma das patas anteriores ligeiramente elevada - esse gesto é típico de quem está querendo se comunicar. Está tentando dizer que quer que você pare com o que estiver fazendo porque ele está inseguro.
Urinar - procedimento repleto de significados outros além daquele da simples necessidade fisiológica. Urinando, o cão pode estar marcando seu território, desafiando um adversário, deixando seu rastro para as fêmeas, promovendo sua condição de reprodutor, expressando seu desprezo, revelando companheirismo etc.
Os machos urinam para demarcar seus limites, como nós fazemos quando riscamos uma linha no chão ou colocamos uma cerca, um muro.
Urinam, também, sobre a urina de outros machos para sobrepor seu odor ao deles. Urinam sobre a urina de fêmeas para convidá las ao jogo. Às vezes urinam até sobre outro cão para mostrar superioridade hierárquica e desprezo.
Já vimos cães urinarem sobre de seus próprios donos por prazer e para desafiar
Defecar – além das necessidades fisiológicas, as fezes têm uma conotação de desaforo, má criação e pirraça (ética humana).
Há cães que ficam tão aborrecidos por seus donos terem saído sem levá-los que defecam sobre a cama do casal.
Só falta falar…
Estas formas talvez rudimentares de linguagem removam o cão da sua tradicional classificação de animal irracional. Já não se pode dizer: “Meu cão só falta falar!”.
É claro que cães jamais falarão como um ser humano, mas já está óbvio que existe um conjunto enorme de elementos que nos fornece a certeza de que os cães possuem uma forma de linguagem.
Somos nós que conseguimos ou não compreender o modo canino de se expressar, de se comunicar com o mundo, com os outros animais e conosco.
Cabe a nós, donos, entendermos o que nossos cães querem nos dizer com seus gestos e assim podermos nos relacionar melhor com eles..
Muitas pessoas se sentem magoadas ou decepcionadas quando os cães agem dessa ou de determinada forma, entendendo o que significa a linguagem canina poderão decifrar e se comunicar melhor com eles.














